segunda-feira, 18 de março de 2013

sobre não ter a doença e sofrer dela



10032012
João Paulo 
Olá boa noite.
O meu nome é João, tenho 29 anos e um caso um pouco diferente do vosso mas se calhar tão debilitante.
Há cerca de 10 anos que tomei conhecimento de que jovens aparentemente saudáveis morriam sem mais nem menos em questão de segundos, levando me a desenvolver uma doença chamada distúrbio do pânico e ansiedade acompanhada por agorafobia. Nessa altura em que começaram os ataques, fiz alguns electrocardiogramas e o resultado era sempre “traçado normal”. Com recurso a medicamentos psiquiátricos voltei a ter uma vida mais ou menos normal. Aí em 2004 a coisa piorou com a morte do Miki Feher. Comecei novamente a ter ataques de panico e a não conseguir sair de casa porque poderia ter uma paragem cardiaca a qualquer momento. Pedi ao meu médico para fazer mais uns exames e fiz um eco e um electro nesse mesmo mês. Resultado, tudo normal. Continuei com esta vida de medo até 2008 altura em que comecei com novas crises de medo e de insegurança. Fiz um Holter e mais uma vez o resultado foi normal, acusando apenas uma extra sistole que o médico disse que não era nada. Sempre gastando rios de dinheiro em psiquiatras, acabei por consultar um cardiologista muito bom aqui em Leiria que me disse que eu não tinha absolutamente nada a não ser um problema psicológico. Esqueci me de dizer que durante estes anos todos deixei de estudar e praticamente nunca consegui manter um emprego. Não pratico qualquer tipo de desporto pois tenho imenso medo, passo os dias em grande depressão, não vou a estádios de futebol com medo de ter emoções fortes, não viajo, passo os dias a ler sobre morte subita em jovens. O ano passado tive mais uma grande crise e voltei ao cardiologista, fiz mais um holter e um eco…tudo normal e 6 extra sistoles supra ventriculares no holter. Sei que nestes 10 anos já fiz cerca de 15 electros, 2 ecos e 2 holters tirando os que fiz nas urgencias do hospital quando tinha crises agudas de panico. Fiquei um pouco sossegado com o resultado dos exames, mas foi sol de pouca dura pois no dia de carnaval li uma noticia de uma jovem de 25 anos que morreu subitamente e voltei ao mesmo calvário. Já não sei mais o que fazer, vivo os meus dias sempre com a sensação de que a qualquer momento passo desta para melhor, uma sensação de insegurança que nem voces portadores de ICD têm. Se calhar era isto que eu precisava, conhecer pessoas que jápassaram por aquilo que eu temo. Eu sei que miocardiopatia hipertrófica muito dificilmente eu tenho, assim como as demais cardiopatias estruturais, mas estas doenças como sindrome do qt longo, brugada, tv ideopática são muito mais perigosas e dificeis de detetar, daí a minha constante insegurança. Uma das questões que eu gostaria de perguntar é a seguinte: a todos aqueles que já tiveram um episódio de colapso repentino, o que sentiram antes e quanto tempo durou esse sintoma até apagarem?
Peço desculpa por ter publicado uma coisa que nao tem nada a ver com o assunto do blog, mas vou continuar a seguir vos. Por acaso não têm facebook?
Um abraço para todos e muita saúde.

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